Uns queriam um emprego melhor; outros, um emprego. Uns queriam uma refeição mais farta; outros, apenas uma refeição. Uns queriam uma vida mais amena; outros, apenas viver. Uns queriam ter pais mais esclarecidos; outros, apenas ter pais. Uns queriam ter olhos claros; outros, apenas enxergar. Uns queriam ter voz bonita; outros apenas falar. Uns queriam o silêncio; outros, ouvir. Uns queriam um sapato novo; outros, ter pés. Uns queriam um carro; outros, andar. Uns queriam o supérfluo; outros, apenas o necessário.
Chico Xavier. 

Quem me dera, ao menos uma vez, acreditar por um instante em tudo o que existe. Acreditar que o mundo é perfeito e que todas as pessoas são felizes.
Renato Russo.

Coragem, às vezes, é desapego. É parar de se esticar, em vão, para trazer a linha de volta. É aceitar doer inteiro até florir de novo.
Caio Fernando Abreu.

Eram duas meninas ricas, melhores amigas. Não se achavam nem nada. Seus nomes eram Renata e Elena. Mas como Elena era mais popular, Renata tinha inveja. Um dia, no ultimo andar de um predio, aqueles que não tem nada por fora, é um jardim aberto, e que se você se jogar você cai. Enfim, Renata e Elena estavam lá.. Elena viu uma flor azul bem perto da ponta do andar, então precisava que alguém a segurasse, senão ela caia. Elena disse: “Rê, me segura para eu pegar a flor azul?” “Claro Lê.” Então Renata segurou Elena… Até uma hora. Então ela pensou que se Elena falecesse ela ia ser a mais popular. E ela tem sua chance. Pensou: “é agora..” E soltou Elena..Passaram 20 anos… Renata estava casada, e tinha uma filha. Como era o dia do aniversário de Elena, mas ela havia falecido, fizeram uma homenagem a ela e convidaram Renata, mas ela não queria ir, porque ela que havia matado Elena. Seu marido encheu tanto o saco dela que ela aceitou ir, mais a filha teve de ir junto, pois não tinha com quem ficar. Chegaram lá, era no mesmo prédio, que Renata havia largado Elena. A filha foi lá com a mãe, no último andar, e o marido ficou lá em baixo, na festa. Quando as duas chegaram havia uma flor idêntica, azul. A filha insistiu em pegá-la, e a mãe concordou em segurá-la. Renata então estava a segurando, mas antes da filha pegar a flor, virou pra trás e disse: “Mamãe, dessa vez você não vai me soltar, não é?”


Um ano de Tumblr


stelena | i know what i want


Você precisa saber que poetas morrem na folha de papel que rabisca. Na leveza da pena quem embaia a espada. Poetas falecem antes de terminar um título, e perecem no ponto que interroga, ou revoga, ou não termina o parágrafo. Poetas conversam com cartas sem ousar colocar teus nomes, nem dizem das pétalas que permeia a cama, e nem da alma que descoloriu. Você precisa saber que retratos serão pessoas tão quentes, que hoje não lhe trazem nada mais que a frieza da moldura. Você precisa sair de casa e ver a praça, preserva-se na movimentação das luzes, dos rostos que sabem lá pra onde vão. Encene no espelho aquela impetulância que teu nariz tão afinado transmite. E se de pessoas faltar, fique na cadeira, e segure um livro, pois por mais antigos que sejam ainda sim se tornam tão necessários. É incrível a relação que se pode ter uma história que nem lhe pertence, que o nome do autor nem se pronuncia certo na tua fala. Mas que cada capítulo há uma nova segurança posta na soma de páginas. E não dormes, tanto que recusa o almoço, pois se alimenta da satisfação de reciprocidade. Eu lhe entendo como aquele autor que recomenda para um amigo um livro. Eu lhe vejo tão claro quanto um resumo feito ao final da leitura. Poetas são tão bem humanos, que é satisfatório aquilo que ele transmuta do “feio” para o “belo”. Eles choram com a mesma intensidade que chuva desliza na vidraça de teu quarto. Os ombros são tão pesados que as pálpebras já briguem entre si num espaço de luz. Você precisa saber que sou um poeta, e como todo “rimador”, eu assino meu nome ao final de toda aquela metáfora e o pobre leitor nem percebe o quanto falei de mim. Malditas palavras.
O poeta morre na folha.

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