As coisas sempre mudam quando alguém que você ama morre. Você não tem como se preparar para essas mudanças, não importa o que faça antecipadamente. A única certeza é que você vai ficar se perguntando quem será o próximo.
Entre o agora e o nunca.  

A verdade é que eu não amo ninguém. Ou melhor, eu não estou amando ninguém. Talvez, esse seja o motivo de eu não sair por aí distribuindo “eu te amo” pra qualquer um. Eu tenho coração sim, afinal, eu preciso de um órgão para bombear o sangue. Desculpa o tom de ironia, não consigo evitar.
Querido John. 

De tempos em tempos dou uma pausa no drama excessivo e viro do avesso pra me tornar essa pessoa calminha, despreocupada e de bem com a vida. Só até me cansar e correr de volta pro olho do furacão. Sou meio inconstante, pode-se dizer assim. Uma hora quero calmaria e na outra quero tempestade. Pra falar a verdade, nem sei o que eu quero. Vivo pra descobrir isso.
Iolanda Valentim.  

Corri para a janela a fim de apreciar as pequenas gotículas da chuva que, em agradecimento, pinicaram meu nariz de forma carinhosa. Aos poucos, me deixei levar pela beleza que era ver toda aquela água caindo do céu, molhando as árvores e esfriando o concreto, e não pude deixar de sorrir. Cada gota trazia um sentimento bom. O céu parecia desabar e o vento soprava cada vez mais forte, invadindo a casa sem pedir licença e tirando as cortinas para dançar. E eu assitia ao espetáculo de olhos atentos e coração aberto, quase ao ponto de me enfiar debaixo daquela onda vinda dos céus. Aquela onda que me invadia de alegria sem motivo algum. Não me fazia rir, não me fazia cócegas, mas me cativava. O som, o cheiro da terra, a calma. Tudo aquilo me deu coragem para buscar felicidade cada dia mais. Deu-me lembranças de uma infância vivida num jardim, equilibrando gotas de chuva numa enorme folha verde. Aumentou a minha fé. Varreu a sensação de tédio e só me trouxe calma. Cada gotinha que alcançava minhas bochechas parecia um abraço, uma palavra de conforto ou um sorriso que me era dado com toda a simplicidade do mundo, aumentando minha esperança na vida.
A chuva é muito mais que um fenômeno natural, Rio-doce.  

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originally rio-doce · via florancorar
Lamento, mas não sou de despedidas, não gosto de dar um tchau ou um adeus assim, da boca pra fora, prefiro um até logo, esses outros me parecem muito definitivos, sem volta, daqueles que se dizem pra quem nunca mais quer ver, ou pra quem já foi e não volta mais; e eu gosto disso, dessa possibilidade da volta, dessa falta de despedidas, dessa sinceridade das palavras…
João André.  

Entre o que você é e o que você gostaria de ser. Entre o que você é e gostaria de parecer. Entre o que você quer e o que diz querer. Entre o que você quer ser quando crescer e o que deixou se perder. Entre o que você vê e o que não vê. Entre o seu olhar e o que suas mãos podem tocar. Entre tudo o que você vai esquecer das lembranças que nunca irão se apagar. Entre o muito rápido e o quase devagar. Entre o desistir e o perseverar. Entre o querer e o desejar. Entre a repulsa e a bondade. Entre o tempo e a idade. Entre o futuro e a saudade. Entre o esquecido e o perdido. Entre este momento e o seguinte. Em algum lugar existe um meio termo. Entre o meio e o termo. Meio é entre princípio e fim. Termo quer dizer prazo. Entre a sua ousadia e a paciência nossa. Entre o que você gostaria e o que você gosta. Entre o autor e a obra. Entre o desperdício e a sobra. Entre construir - difícil. E destruir - fácil. Entre a triste verdade e a alegre mentira. Entre a mulher e a menina. Entre o que cega e o que fascina. Nas entrelinhas. Entre a aparência e o engano. Entre o sonho e a ilusão. Entre o sim e o não. Talvez. Entre a minha e a tua vez. Entre o que você fez. Entre o que você deixou de fazer. E o que eu nem posso dizer. Aqui entre nós. Entre mentes, entretanto, entretendo, entendendo que entre eu e mim, entre nós dois e vocês. Entre! Ainda que seja a porta de saída, entre sem bater.
Pedro Bial.   

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originally tipografado · via insensata
Aviso: eu não sou legal. Não gosto de gente burra, que força intimidade nas primeiras conversas e de repetir a mesma coisa duas vezes ou ter que responder perguntar óbvias até pra uma porta. Não me apego a praticamente ninguém… Mas quando me apego, é pra valer. Sou o tipo de amigo que não tá sempre bem, mas tá sempre junto. Sou facilmente conquistado pela boca. Tenho mania de corrigir os outros (e ficar puto quando sou corrigido), ironizar tudo — o tempo todo — e sou bem chatinho.
Eu gosto de cafuné, dormir de ladinho e de chupões no pescoço.
Outra coisa: uma dose de grosseria é sempre bom.
Vinicius Kretek. 

O pessimismo passou, mas o bom propósito não: farei o possível para não amar demais as pessoas, sobretudo, por causa das pessoas. Às vezes o amor que se dá pesa, quase como uma responsabilidade na pessoa que o recebe. Eu tenho essa tendência geral para exagerar, e resolvi tentar não exigir dos outros senão o mínimo. É uma forma de paz. Também é bom porque em geral se pode ajudar muito mais as pessoas quando não se está cega de amor.
Clarice Lispector.